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Diário da República, 2.ª série — N.º 208 — 27 de Outubro de 2009
Formato do arquivo: PDF/Adobe AcrobatO Ministro da Defesa Nacional, Henrique. Nuno Pires Severiano Teixeira. 202473216. Portaria n.º 1093/2009. Louvo o coronel Eugénio Francisco Nunes Henriques ...dre.pt/util/getpdf.asp?s=rss&serie=2&iddr=208.2009... - Similares -
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quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Louvor
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Noticias de Castanheira de Pera - Portugal
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quarta-feira, outubro 28, 2009
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Jorge Carvalho David
Louvor: Coronel Eugénio Francisco Nunes Henriques.

Caro Amigo Carlos Coelho!
Supondo que em primeiríssima mão, envio texto do louvor e medalha de prata atribuida ao nosso distinto amigo, Coronel Eugénio Francisco.
Um grande abraço do lado de cá do Atlântico com votos de boa saúde!
Jorge David
43572 Diário da República, 2.ª série — N.º 208 — 27 de Outubro de 2009
Da sua acção, destaca -se a melhoria dos conteúdos da página do
IASFA na Internet e a sua permanente actualização, o rigor técnico e
de direcção que tem colocado na elaboração da revista que tem o seu
cunho, a análise correcta que faz da situação e das notícias que envolvem
o IASFA e a forma frontal, pronta e clara como as coloca ao conselho
de direcção, constituem, entre outras, áreas que reflectem a percepção e
empenho que coloca nas suas tarefas, sempre com resultados eficazes.
A sua longa experiência de comando e chefia consolidaram uma nobre
capacidade de relacionamento e liderança, sendo visíveis nos resultados
alcançados pelo seu gabinete.
Pelas relevantes qualidades pessoais, elevada competência e notável
espírito de sacrifício e de missão, considero que os serviços prestados
pelo comandante Correia Marques, que muito têm contribuído
para o lustre, honra e prestígio do IASFA e do Ministério da Defesa
Nacional, devem ser considerados como extraordinários, relevantes
e distintos.
Assim, nos termos da competência que me é conferida pelo n.º 1 do
artigo 34.º e atento o disposto no artigo 13.º e na alínea b) do n.º 1 do
artigo 16.º do Regulamento da Medalha Militar e das Medalhas Comemorativas
das Forças Armadas, aprovado pelo Decreto -Lei n.º 316/2002,
de 27 de Dezembro, concedo a medalha de serviços distintos, grau prata,
ao capitão -de -mar -e -guerra da classe de Marinha, na situação de reserva,
João Carlos Pina Correia Marques.
30 de Setembro de 2009. — O Ministro da Defesa Nacional, Henrique
Nuno Pires Severiano Teixeira.
202473216
Portaria n.º 1093/2009
Louvo o coronel Eugénio Francisco Nunes Henriques pelo excepcional
zelo e forma altamente honrosa e brilhante como, desde 3 de
Julho de 2006, desempenhou as exigentes funções de assessor militar
no meu Gabinete.
Oficial dotado de uma sólida cultura geral e militar que lhe conferem
reconhecida competência profissional, o coronel Nunes Henriques evidenciou
excelentes conhecimentos e características pessoais de ponderação
e senso comum, que lhe permitiram executar com grande rigor e
qualidade as funções que lhe foram cometidas.
O coronel Nunes Henriques assegurou a ligação ao Exército, garantindo
o acompanhamento dos processos e prestando assessoria militar
sobre os assuntos específicos desse ramo com grande qualidade, empenho
e dedicação.
Dotado de uma grande sensibilidade para os assuntos da área do
pessoal militar, o coronel Nunes Henriques acompanhou de perto, e
com uma atitude de grande equidade, o desenvolvimento das iniciativas
legislativas realizadas neste âmbito, expressando as suas posições de
forma clara e raciocínio estruturado, mercê de uma apurada capacidade
de análise das situações e dos problemas, contribuindo com a sua
experiência e saber para o apoio à decisão política, de forma isenta e
sempre equilibrada.
A prestação do coronel Nunes Henriques foi igualmente relevante
no âmbito da preparação e acompanhamento da Lei de Programação de
Infra -Estruturas Militares, onde, uma vez mais, o seu apurado conselho
e sensatez foram importantes para a concretização dessa iniciativa legislativa,
razão que levou à sua indigitação para a respectiva comissão
paritária.
Numa outra vertente, o coronel Nunes Henriques foi também o substituto
legal do chefe do Gabinete, tendo nesta qualidade prestado um
inestimável apoio a inúmeras tarefas que lhe foram incumbidas, sempre
absorventes, mas indispensáveis para o regular funcionamento do Gabinete
do Ministro da Defesa Nacional.
Senhor de grande competência profissional, o coronel Nunes Henriques
revelou uma irrepreensível conduta como militar, com excepcional
espírito de missão, lealdade e disponibilidade, afirmando -se como um
oficial de excepção de quem muito o Exército pode esperar.
A estes atributos, o coronel Nunes Henriques associou ainda uma
natural postura de grande humildade, integridade e excelente relacionamento,
revelados na forma afável, espontânea e aberta como estabeleceu
o seu relacionamento pessoal com todos os elementos do Gabinete e na
sã camaradagem que desenvolveu, conquistando a amizade, o apreço e
a consideração de todos aqueles com quem conviveu.
Pelas razões expostas, é muito grato ao Ministro da Defesa Nacional
reconhecer publicamente o elevado nível de desempenho do coronel
Nunes Henriques e considerar os serviços por si prestados como extraordinários,
relevantes e distintos, dos quais resultou honra e lustre para
o Exército e para a Defesa Nacional.
Assim, nos termos da competência que me é conferida pelo n.º 1 do
artigo 34.º e atento o disposto no artigo 13.º e na alínea b) do n.º 1 do
artigo 16.º do Regulamento da Medalha Militar e das Medalhas Comemorativas
das Forças Armadas, aprovado pelo Decreto -Lei n.º 316/2002,
de 27 de Dezembro, concedo a medalha de serviços distintos, grau prata,
ao coronel Eugénio Francisco Nunes Henriques.
12 de Outubro de 2009. — O Ministro da Defesa Nacional, Henrique
Nuno Pires Severiano Teixeira.
202473054
Portaria n.º 1094/2009
Louvo o NII 20382, capitão -de -mar -e -guerra Pedro Manuel Filipe do
Amaral Frazão pelo excepcional zelo e forma altamente honrosa e brilhante
como, desde 3 de Julho de 2006, desempenhou as exigentes funções
de assessor militar no meu Gabinete, assegurando a ligação à Marinha.
O conhecimento e experiência adquiridos pelo comandante Pedro
Amaral Frazão ao longo de uma carreira diversificada conferem -lhe
uma visão transversal sobre toda a Marinha, tendo a sua participação no
acompanhamento dos processos relacionados com esse ramo, emitindo
competentes e bem fundamentados pareceres, revelado uma excelente
capacidade analítica e contribuído para os respectivos processos de
decisão de forma rigorosa e sempre oportuna.
Aberto e frontal, o comandante Pedro Amaral Frazão alicerçou a sua
postura numa sólida formação moral e intelectual, primando por uma
atitude de grande determinação e afirmando -se como uma referência de
dinamismo, capacidade de organização e vontade de bem servir.
Integrou o Comissariado -Geral das Comemorações do V Centenário
do nascimento de São Francisco Xavier e o grupo de trabalho interministerial
para a reavaliação do sistema de busca e salvamento no mar,
representando também o Ministro da Defesa Nacional na Comissão
Executiva do Plano Regresso.
Preparou e coordenou inúmeras actividades de natureza protocolar,
visitas e deslocações presididas ou com a participação do Ministro da
Defesa Nacional, tendo revelado uma especial perspicácia para percepcionar
a essência das várias envolventes, com grande sentido prático e
objectivo, atenção aos detalhes e grande consistência de actuação.
Assegurou também a preparação dos processos de concessão de louvores
e condecorações concedidos pelo Ministro da Defesa Nacional,
patenteando um apurado sentido de análise e cuidado na sua organização
e processamento.
Acompanhou ainda importantes dossiers, designadamente no âmbito
dos assuntos com as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, mas
também de outros processos conduzidos no âmbito interno do Ministério
da Defesa Nacional.
A par da sua excelência profissional, patente na eficácia do seu desempenho,
é também com grande satisfação que sublinho o sentido humano,
a sensibilidade e fácil relacionamento pessoal do comandante Pedro
Amaral Frazão, cativando as pessoas de forma natural e contribuindo
para um excelente ambiente no Gabinete.
Atento quanto precede, é pois muito grato ao Ministro da Defesa
Nacional reconhecer publicamente o elevado nível de desempenho e as
qualidades pessoais do comandante Pedro Amaral Frazão e considerar os
serviços por si prestados como extraordinários, relevantes e distintos, dos
quais resultou honra e lustre para a Marinha e para a Defesa Nacional.
Assim, nos termos da competência que me é conferida pelo n.º 1 do
artigo 34.º e atento o disposto no artigo 13.º e na alínea b) do n.º 1 do
artigo 16.º do Regulamento da Medalha Militar e das Medalhas Comemorativas
das Forças Armadas, aprovado pelo Decreto -Lei n.º 316/2002,
de 27 de Dezembro, concedo a medalha de serviços distintos, grau
prata, ao NII 20382, capitão -de -mar -e -guerra Pedro Manuel Filipe do
Amaral Frazão.
12 de Outubro de 2009. — O Ministro da Defesa Nacional, Henrique
Nuno Pires Severiano Teixeira.
202473119
Portaria n.º 1095/2009
A assistente técnica Maria Beatriz dos Santos Sousa tem vindo a
desempenhar de forma exemplar, muito competente e dedicada, funções
na Secretaria de Apoio do Gabinete do Ministro da Defesa Nacional
desde 1984.
Ao longo deste período de quase 25 anos, Maria Beatriz Sousa tem
demonstrado um elevado espírito de colaboração e qualidades de trabalho
que, por imperativo de elementar justiça, me cumpre reconhecer
publicamente, pelo esforço e empenho pessoais que, continuadamente,
vem emprestando ao Gabinete do Ministro da Defesa Nacional.
O profissionalismo e a disponibilidade evidenciados por Maria Beatriz
Sousa nas tarefas que lhe estão cometidas na Secretaria de Apoio do
Gabinete do Ministro da Defesa Nacional traduzem -se na execução
rigorosa dos trabalhos efectuados, sempre de forma muito eficiente e
com comprovada qualidade, materializando um elevado sentido do dever
no desempenho do seu cargo, que exerce de forma muito discreta mas
com elevada dedicação.
Supondo que em primeiríssima mão, envio texto do louvor e medalha de prata atribuida ao nosso distinto amigo, Coronel Eugénio Francisco.
Um grande abraço do lado de cá do Atlântico com votos de boa saúde!
Jorge David
43572 Diário da República, 2.ª série — N.º 208 — 27 de Outubro de 2009
Da sua acção, destaca -se a melhoria dos conteúdos da página do
IASFA na Internet e a sua permanente actualização, o rigor técnico e
de direcção que tem colocado na elaboração da revista que tem o seu
cunho, a análise correcta que faz da situação e das notícias que envolvem
o IASFA e a forma frontal, pronta e clara como as coloca ao conselho
de direcção, constituem, entre outras, áreas que reflectem a percepção e
empenho que coloca nas suas tarefas, sempre com resultados eficazes.
A sua longa experiência de comando e chefia consolidaram uma nobre
capacidade de relacionamento e liderança, sendo visíveis nos resultados
alcançados pelo seu gabinete.
Pelas relevantes qualidades pessoais, elevada competência e notável
espírito de sacrifício e de missão, considero que os serviços prestados
pelo comandante Correia Marques, que muito têm contribuído
para o lustre, honra e prestígio do IASFA e do Ministério da Defesa
Nacional, devem ser considerados como extraordinários, relevantes
e distintos.
Assim, nos termos da competência que me é conferida pelo n.º 1 do
artigo 34.º e atento o disposto no artigo 13.º e na alínea b) do n.º 1 do
artigo 16.º do Regulamento da Medalha Militar e das Medalhas Comemorativas
das Forças Armadas, aprovado pelo Decreto -Lei n.º 316/2002,
de 27 de Dezembro, concedo a medalha de serviços distintos, grau prata,
ao capitão -de -mar -e -guerra da classe de Marinha, na situação de reserva,
João Carlos Pina Correia Marques.
30 de Setembro de 2009. — O Ministro da Defesa Nacional, Henrique
Nuno Pires Severiano Teixeira.
202473216
Portaria n.º 1093/2009
Louvo o coronel Eugénio Francisco Nunes Henriques pelo excepcional
zelo e forma altamente honrosa e brilhante como, desde 3 de
Julho de 2006, desempenhou as exigentes funções de assessor militar
no meu Gabinete.
Oficial dotado de uma sólida cultura geral e militar que lhe conferem
reconhecida competência profissional, o coronel Nunes Henriques evidenciou
excelentes conhecimentos e características pessoais de ponderação
e senso comum, que lhe permitiram executar com grande rigor e
qualidade as funções que lhe foram cometidas.
O coronel Nunes Henriques assegurou a ligação ao Exército, garantindo
o acompanhamento dos processos e prestando assessoria militar
sobre os assuntos específicos desse ramo com grande qualidade, empenho
e dedicação.
Dotado de uma grande sensibilidade para os assuntos da área do
pessoal militar, o coronel Nunes Henriques acompanhou de perto, e
com uma atitude de grande equidade, o desenvolvimento das iniciativas
legislativas realizadas neste âmbito, expressando as suas posições de
forma clara e raciocínio estruturado, mercê de uma apurada capacidade
de análise das situações e dos problemas, contribuindo com a sua
experiência e saber para o apoio à decisão política, de forma isenta e
sempre equilibrada.
A prestação do coronel Nunes Henriques foi igualmente relevante
no âmbito da preparação e acompanhamento da Lei de Programação de
Infra -Estruturas Militares, onde, uma vez mais, o seu apurado conselho
e sensatez foram importantes para a concretização dessa iniciativa legislativa,
razão que levou à sua indigitação para a respectiva comissão
paritária.
Numa outra vertente, o coronel Nunes Henriques foi também o substituto
legal do chefe do Gabinete, tendo nesta qualidade prestado um
inestimável apoio a inúmeras tarefas que lhe foram incumbidas, sempre
absorventes, mas indispensáveis para o regular funcionamento do Gabinete
do Ministro da Defesa Nacional.
Senhor de grande competência profissional, o coronel Nunes Henriques
revelou uma irrepreensível conduta como militar, com excepcional
espírito de missão, lealdade e disponibilidade, afirmando -se como um
oficial de excepção de quem muito o Exército pode esperar.
A estes atributos, o coronel Nunes Henriques associou ainda uma
natural postura de grande humildade, integridade e excelente relacionamento,
revelados na forma afável, espontânea e aberta como estabeleceu
o seu relacionamento pessoal com todos os elementos do Gabinete e na
sã camaradagem que desenvolveu, conquistando a amizade, o apreço e
a consideração de todos aqueles com quem conviveu.
Pelas razões expostas, é muito grato ao Ministro da Defesa Nacional
reconhecer publicamente o elevado nível de desempenho do coronel
Nunes Henriques e considerar os serviços por si prestados como extraordinários,
relevantes e distintos, dos quais resultou honra e lustre para
o Exército e para a Defesa Nacional.
Assim, nos termos da competência que me é conferida pelo n.º 1 do
artigo 34.º e atento o disposto no artigo 13.º e na alínea b) do n.º 1 do
artigo 16.º do Regulamento da Medalha Militar e das Medalhas Comemorativas
das Forças Armadas, aprovado pelo Decreto -Lei n.º 316/2002,
de 27 de Dezembro, concedo a medalha de serviços distintos, grau prata,
ao coronel Eugénio Francisco Nunes Henriques.
12 de Outubro de 2009. — O Ministro da Defesa Nacional, Henrique
Nuno Pires Severiano Teixeira.
202473054
Portaria n.º 1094/2009
Louvo o NII 20382, capitão -de -mar -e -guerra Pedro Manuel Filipe do
Amaral Frazão pelo excepcional zelo e forma altamente honrosa e brilhante
como, desde 3 de Julho de 2006, desempenhou as exigentes funções
de assessor militar no meu Gabinete, assegurando a ligação à Marinha.
O conhecimento e experiência adquiridos pelo comandante Pedro
Amaral Frazão ao longo de uma carreira diversificada conferem -lhe
uma visão transversal sobre toda a Marinha, tendo a sua participação no
acompanhamento dos processos relacionados com esse ramo, emitindo
competentes e bem fundamentados pareceres, revelado uma excelente
capacidade analítica e contribuído para os respectivos processos de
decisão de forma rigorosa e sempre oportuna.
Aberto e frontal, o comandante Pedro Amaral Frazão alicerçou a sua
postura numa sólida formação moral e intelectual, primando por uma
atitude de grande determinação e afirmando -se como uma referência de
dinamismo, capacidade de organização e vontade de bem servir.
Integrou o Comissariado -Geral das Comemorações do V Centenário
do nascimento de São Francisco Xavier e o grupo de trabalho interministerial
para a reavaliação do sistema de busca e salvamento no mar,
representando também o Ministro da Defesa Nacional na Comissão
Executiva do Plano Regresso.
Preparou e coordenou inúmeras actividades de natureza protocolar,
visitas e deslocações presididas ou com a participação do Ministro da
Defesa Nacional, tendo revelado uma especial perspicácia para percepcionar
a essência das várias envolventes, com grande sentido prático e
objectivo, atenção aos detalhes e grande consistência de actuação.
Assegurou também a preparação dos processos de concessão de louvores
e condecorações concedidos pelo Ministro da Defesa Nacional,
patenteando um apurado sentido de análise e cuidado na sua organização
e processamento.
Acompanhou ainda importantes dossiers, designadamente no âmbito
dos assuntos com as Regiões Autónomas dos Açores e da Madeira, mas
também de outros processos conduzidos no âmbito interno do Ministério
da Defesa Nacional.
A par da sua excelência profissional, patente na eficácia do seu desempenho,
é também com grande satisfação que sublinho o sentido humano,
a sensibilidade e fácil relacionamento pessoal do comandante Pedro
Amaral Frazão, cativando as pessoas de forma natural e contribuindo
para um excelente ambiente no Gabinete.
Atento quanto precede, é pois muito grato ao Ministro da Defesa
Nacional reconhecer publicamente o elevado nível de desempenho e as
qualidades pessoais do comandante Pedro Amaral Frazão e considerar os
serviços por si prestados como extraordinários, relevantes e distintos, dos
quais resultou honra e lustre para a Marinha e para a Defesa Nacional.
Assim, nos termos da competência que me é conferida pelo n.º 1 do
artigo 34.º e atento o disposto no artigo 13.º e na alínea b) do n.º 1 do
artigo 16.º do Regulamento da Medalha Militar e das Medalhas Comemorativas
das Forças Armadas, aprovado pelo Decreto -Lei n.º 316/2002,
de 27 de Dezembro, concedo a medalha de serviços distintos, grau
prata, ao NII 20382, capitão -de -mar -e -guerra Pedro Manuel Filipe do
Amaral Frazão.
12 de Outubro de 2009. — O Ministro da Defesa Nacional, Henrique
Nuno Pires Severiano Teixeira.
202473119
Portaria n.º 1095/2009
A assistente técnica Maria Beatriz dos Santos Sousa tem vindo a
desempenhar de forma exemplar, muito competente e dedicada, funções
na Secretaria de Apoio do Gabinete do Ministro da Defesa Nacional
desde 1984.
Ao longo deste período de quase 25 anos, Maria Beatriz Sousa tem
demonstrado um elevado espírito de colaboração e qualidades de trabalho
que, por imperativo de elementar justiça, me cumpre reconhecer
publicamente, pelo esforço e empenho pessoais que, continuadamente,
vem emprestando ao Gabinete do Ministro da Defesa Nacional.
O profissionalismo e a disponibilidade evidenciados por Maria Beatriz
Sousa nas tarefas que lhe estão cometidas na Secretaria de Apoio do
Gabinete do Ministro da Defesa Nacional traduzem -se na execução
rigorosa dos trabalhos efectuados, sempre de forma muito eficiente e
com comprovada qualidade, materializando um elevado sentido do dever
no desempenho do seu cargo, que exerce de forma muito discreta mas
com elevada dedicação.
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quarta-feira, outubro 28, 2009
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Jorge Carvalho David
sábado, 1 de agosto de 2009
O homem do cachimbo.

De: "jdavid@iol.pt"
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Noticias de Castanheira de Pera - Portugal
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sábado, agosto 01, 2009
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Jorge Carvalho David
Jorge Carvalho David,
De: "jdavid@iol.pt" Para: Carlos Manuel dos Santos Coelho carloscoelhoo@yahoo.com.br
Enviadas: Sexta-feira, 31 de Julho de 2009 19:03:58
Assunto: A Dádiva da Natureza!
Quem é que está no Contra?...
Saiem da praça visconde três pacatos cidadãos, a meio da manhã de uma 5ª feira de Julho, na senda de uma visita à serra, a essa Serra da Lousã matriarca protectora de tantas e tantas gerações, afago e aconchego de quantas e quantas almas que, de um e de outro lado vieram ao mundo, quer no vale da Lousã quer no baixio da Ribeira de Pera." Montanha tutelar da minha infância, que mil lembranças do passado encerra..."assim foi cantada no poema de Sanches da Gama esta serra da Lousã. Frondosa, magestosa e misteriosa presença que nos limita o horizonte visual, nos confina a este espaço, cavado e estreito, tapando-nos a vista do mar e a largueza do planalto da meseta Ibérica que, para todos os efeitos se inicia aqui na bem próxima Beira-Baixa. Intenção única e tão simples, esta, de ver a serra moveu estas três almas a seguir, Ameal acima, até ao Cabeço do Peão. Pelo caminho viram e fotografaram os apicultores, trajados a preceito, fato branco e peneiro na cabeça. " - A safra este ano é fraca, muito fraca... Choveu muito!". Adiante, um pouco mais adiante , a natureza no seu expoente máximo: - A mãe perdiz e o perdigão imponente, protegiam as suas crias do perigo. Fugiram apressadas, estrada fora, para se embrenharem no mato e nos fetos, seu refúgio natural. Foto e mais foto, lá fomos subindo a serra até ao mirante.No mirante, usámos "a má lingua" para criticar a destruição da cobertura... Sempre servia de abrigo do sol e da chuva. Regalámos a vista a apreciar o vale da Ribeira de Pera. Ali o que é? - Ali... ali é Pera, a seguir as Botelhas e a Palheira, além, mais abaixo, vê-se a Corga, a Várzea e o Torgal. Aos nossos pés o Vilar. Olha... Olha até se consegue ver a praia das rocas, lá mesmo ao fundo. Tivemos muita sorte, a natureza dotou-nos com todos os condimentos para sermos uma terra de turismo de montanha. Temos o verde da mata, o azul do céu, o amarelo do sol... Enfim, o paraíso à nossa beira.A natureza, na verdade, deu-nos tudo o que tinha para dar. No entanto, nós teimamos em não saber aproveitar esse legado. As estradas estão esburacadas, as mimosas e os fetos invadem a via, as bermas e as valetas viraram selva. Até quando a natureza nos permite tanto maltrato?Cova das Malhadas. Abandono gera vandalismo. Mete dó ver a degradação de um património pago a peso de euros...O "internauta" blogou a notícia, "postou" fotografias, lançou o alerta!Em resultado disso, ouviu elogios? - Não, não senhor!... Não ouviu elogios. Ouviu, isso sim, dizer que; - Vocês estão no contra... Disseram tudo para arrasar.Evidências são evidências. O que se vê está à vista!Não estamos no contra por estar no contra. Os factos falam por si! Respeitemos a natureza antes que ela perca a paciência Julho de 2009, fim de mês.
Enviadas: Sexta-feira, 31 de Julho de 2009 19:03:58
Assunto: A Dádiva da Natureza!
Quem é que está no Contra?...
Saiem da praça visconde três pacatos cidadãos, a meio da manhã de uma 5ª feira de Julho, na senda de uma visita à serra, a essa Serra da Lousã matriarca protectora de tantas e tantas gerações, afago e aconchego de quantas e quantas almas que, de um e de outro lado vieram ao mundo, quer no vale da Lousã quer no baixio da Ribeira de Pera." Montanha tutelar da minha infância, que mil lembranças do passado encerra..."assim foi cantada no poema de Sanches da Gama esta serra da Lousã. Frondosa, magestosa e misteriosa presença que nos limita o horizonte visual, nos confina a este espaço, cavado e estreito, tapando-nos a vista do mar e a largueza do planalto da meseta Ibérica que, para todos os efeitos se inicia aqui na bem próxima Beira-Baixa. Intenção única e tão simples, esta, de ver a serra moveu estas três almas a seguir, Ameal acima, até ao Cabeço do Peão. Pelo caminho viram e fotografaram os apicultores, trajados a preceito, fato branco e peneiro na cabeça. " - A safra este ano é fraca, muito fraca... Choveu muito!". Adiante, um pouco mais adiante , a natureza no seu expoente máximo: - A mãe perdiz e o perdigão imponente, protegiam as suas crias do perigo. Fugiram apressadas, estrada fora, para se embrenharem no mato e nos fetos, seu refúgio natural. Foto e mais foto, lá fomos subindo a serra até ao mirante.No mirante, usámos "a má lingua" para criticar a destruição da cobertura... Sempre servia de abrigo do sol e da chuva. Regalámos a vista a apreciar o vale da Ribeira de Pera. Ali o que é? - Ali... ali é Pera, a seguir as Botelhas e a Palheira, além, mais abaixo, vê-se a Corga, a Várzea e o Torgal. Aos nossos pés o Vilar. Olha... Olha até se consegue ver a praia das rocas, lá mesmo ao fundo. Tivemos muita sorte, a natureza dotou-nos com todos os condimentos para sermos uma terra de turismo de montanha. Temos o verde da mata, o azul do céu, o amarelo do sol... Enfim, o paraíso à nossa beira.A natureza, na verdade, deu-nos tudo o que tinha para dar. No entanto, nós teimamos em não saber aproveitar esse legado. As estradas estão esburacadas, as mimosas e os fetos invadem a via, as bermas e as valetas viraram selva. Até quando a natureza nos permite tanto maltrato?Cova das Malhadas. Abandono gera vandalismo. Mete dó ver a degradação de um património pago a peso de euros...O "internauta" blogou a notícia, "postou" fotografias, lançou o alerta!Em resultado disso, ouviu elogios? - Não, não senhor!... Não ouviu elogios. Ouviu, isso sim, dizer que; - Vocês estão no contra... Disseram tudo para arrasar.Evidências são evidências. O que se vê está à vista!Não estamos no contra por estar no contra. Os factos falam por si! Respeitemos a natureza antes que ela perca a paciência Julho de 2009, fim de mês.
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sábado, agosto 01, 2009
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Jorge Carvalho David
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Casamento:
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quinta-feira, julho 30, 2009
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Jorge Carvalho David
sábado, 11 de abril de 2009
Feliz Páscoa
"Páscoa é ajudar mais gente a ser gente, é viver em constante libertação, é crer na vida que vence a morte. Páscoa é renascimento, é recomeço, é uma nova chance pra gente melhorar as coisas que não gostamos em nós. Para sermos mais felizes por conhecermos a nós mesmos mais um pouquinho e vermos que hoje somos melhores do que fomos ontem."


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Jorge Carvalho David
quarta-feira, 7 de janeiro de 2009
De Jorge Carvalho David,
http://www.cm-castanheiradepera.pt/ocastanheirense/1739/jorge_david.htm
http://www.cm-castanheiradepera.pt/ocastanheirense/1739/jorge_david.htm
http://www.cm-castanheiradepera.pt/ocastanheirense/1739/jorge_david.htm
http://www.cm-castanheiradepera.pt/ocastanheirense/1739/jorge_david.htm
http://www.cm-castanheiradepera.pt/ocastanheirense/1739/jorge_david.htm
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quarta-feira, janeiro 07, 2009
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Jorge Carvalho David
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Faleceu
--- Em seg, 5/1/09, jdavid@iol.pt
De: jdavid@iol.pt jdavid@iol.pt
Assunto: HOMEM GRANDE
Para: ": Carlos Manuel dos Santos Coelho" carloscoelhoo@yahoo.com.br,
Data: Segunda-feira, 5 de Janeiro de 2009, 22:44
Morreu um H... Um H de homem grande." Grande" de alcunha
por que era conhecido, por via da sua estatura física. No entanto, a grandeza
deste HOMEM, não lhe adveio da estatura corpórea e física mas, outrossim, da
grandeza humana, da grandeza espiritual.
Manuel Henriques Tomás!
Homem grande. Mais do que na materialidade física, este Homem foi... Este
homem é GRANDE nos valores de humildade, nos valores da solidariedade, no culto
da amizade pura e disinteressada.
Ao quase nada disse basta. Inconformado, rompeu com o destino e seguiu em
frente. Venceu barreiras, superou dificuldades, singrou na vida e a pulso
tornou-se homem de "teres e haveres" de vida materialmente
confortável conquistada a pulso, à custa da força do trabalho, aliada à
honestidade e à humildade.
-Singrou mas não cilindrou!...Venceu mas não submeteu!... Viveu, morreu, e
não se comprometeu. Não se comprometeu no respeito pelos valores da amizade,
pelos valores da lealdade, pelos valores da integridade.
Por isso tudo, Manuel Tomaz conquistou o estatuto de GRANDE. Grande de estatura
física mas muito maior, muito enormemente maior, na estatura moral, cívica, na
estatura de Homem com "H" grande.
Na morte de um amigo, à boca da sepultura, Manuel Tomaz disse junto à sua
derradeira morada:
- Carlitos... Ficas aqui perto de mim!
Disse isto, junto ao último leito que o vai acolher, na sua amada terra natal.
De pequeno se fez GRANDE., tanto na vida como na morte.
- Também nós, Manuel Tomaz, iremos ficar perto de ti!
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segunda-feira, janeiro 05, 2009
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Jorge Carvalho David
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Jorge Carvalho David,
Feliz Ano Novo
CONTRARIA AS PREVISÕES - AUGURA UM BOM ANO DE 2009

Ano Velho / Ano Novo
Jorge Carvalho David
CONTRARIA AS PREVISÕES - AUGURA UM BOM ANO DE 2009

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Jorge Carvalho David
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sábado, 8 de novembro de 2008
Elias - Paz à sua alma.
PAZ À SUA ALMA
47 minutos atrás por Jorge Correia Grande Amigo e Companheiro Elias: Escrevo a verde porque a nossa cor clubista,assim o exigia.Foi o meu secretario no extinto Clube "Rotary Clube de Castanheira de Pera".Não esquecerei os bons momentos passados juntos. Até à eternidade. ...CAPER-JORGE CORREIA - http://caperjorgecorreia.blogspot.com/
47 minutos atrás por Jorge Correia Grande Amigo e Companheiro Elias: Escrevo a verde porque a nossa cor clubista,assim o exigia.Foi o meu secretario no extinto Clube "Rotary Clube de Castanheira de Pera".Não esquecerei os bons momentos passados juntos. Até à eternidade. ...CAPER-JORGE CORREIA - http://caperjorgecorreia.blogspot.com/
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sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Jorge Carvalho David,
--- Em seg, 13/10/08, jdavid@iol.pt
De: jdavid@iol.pt
----- Email encaminhado de casaconcelho.castanheirapera@gmail.com -----Data: Mon, 13 Oct 2008 12:33:21 +0100De: Casa do Concelho castanheira de pera
Boa tarde.
O Concelho de Castanheira de Pera prima pela qualidade das Suas Gentes.
Desta vez foram 1 + 1. 1 Premiado com o 2º. lugar Sr. Jorge David e 1 Premiado pela Sua prestação de serviços a favor da Comunidade, Escritor, entre outras qualidades Sr. Kalidás Barreto e que muitas Pessoas conhecem.
Castanheira de Pera esteve bem representada com cerca de 30 pessoas.
Foi bom termos assistido a uma qualidade imensa de poetas, escritores e artistas.
A "Nossa" Casa Concelhia foi apresentada ao Sr. Vereador da Câmara de Almada, que foi o 1º. Presidente da Alma Alentejana, Sr. Joaquim Avó, actual Presidente da Alma Alentejana e o Dr. Maçarico, impulsionador da cultura e Presidente do Juri.
Com os melhores cumprimentos e saudações Castanheirenses
Casa do Concelho de Castanheira de Pera
A Direcção
---------- Forwarded message ----------From: <jdavid@iol.pt>Date: 2008/10/13Subject: Alma Alentejana - Jogos Florais - Entrega de Prémios
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segunda-feira, 29 de setembro de 2008
José da Safra ou Jorge Carvalho David,
Informo, em primeira mão, que o texto em anexo acaba de obter o 2º. Prémio nos Jogos Florais 2008 da Alma Alentejana- Associação para o Desenvolvimento, Cooperação e Solidariedade Social, com sede no Laranjeiro / Almada. Esta Associação organiza, pela oitava vez, estes jogos florais em homenagem a um Alentejano ilustre, desta feita Kalidás Barreto, nascido em Montemor-o-Novo. Os prémios serão entregues no próximo dia 12 de Outubro em cerimónia que terá lugar na Sala Pablo Neruda / Fórum Romeo Correia em Almada a partir das 15 horas. Escolhi o pseudónimo, " José da Safra " por duas razões: - José, em Homenagem a meu pai que me deu o ser, Safra em homenagem à chamada "serra da Safra" que, desde que sou gente, me habituei a olhar defronte da janela.Dedico este prémio a todos os meus amigos!Um abraço fraterno.Jorge David
CINQUENTA PASSOS DE BALDIO
Desceu a calçada imperfeita , de pedra ribeirinha redonda e irregular, a um ritmo alucinante. Mais se assemelhava a um vendaval que parecia fazer rodopiar tudo o que encontrava ao redor. Um turbilhão de nervos e de raiva que bem se estampava no rosto.
Era a Baeta, olhos vivos e lancinantes, maçãs do rosto vermelhas que nem maçãs do São João. Um vermelho tão vermelho que mais se parecia com um farol feito de um emaranhado… Um novelo, de veias e capilares prontas para uma rotura gigantesca e desastrosa. - Essa cara tão corada ainda há-de um dia ser o teu fim, rapariga!... – Advertiam as vizinhas mais chegadas temendo o pior que, por ironia do destino, viria a acontecer em idade bem prematura… O acidente vascular fatal e irremediável.
Defronte da porta da taberna, disparou as primeiras rajadas de palavras contundentes e ameaçadoras:
- É preciso não terem vergonha na cara!
Abanou a cabeça por um lado e para o outro e prosseguiu:
- Aqui especados a “enxugar” copos de vinho enquanto aquele malandro já lá vai, serra fora, a abrir valado à frente de valado, e a plantar marcos de lomba em lomba. – É preciso não terem vergonha na cara!
Os homens, que se emparceiravam encostados ao comprido balcão de cimento da taberna, coberto de copos de” três”, uns cheios outros vazios, mais parecidos com um rebanho de ovelhas famintas debruçadas sobre a manjedoira, voltaram-se e aproximando-se do guarda-vento, uma espécie de meia porta encimada em bico, que resguardava do exterior a identidade dos fregueses mas lhes permitia, sempre que alguma manobra ou algo de estranho se passasse cá fora, dar uma mirada por cima, assim de soslaio, como quem não quer a coisa… a mulher de um que o vinha desencantar da desgraça, uma moçoila fogosa que passava no largo, enfim todas as coisas triviais que aguçavam o apetite à curiosidade destas almas de Deus. Desta vez espreitaram por cima do guarda-vento, não para apreciar trivialidades, motivos de chacota ou pernas roliças de cachopa mas, isso sim, para ouvir discurso bem mais sério e ameaçador que os deixou embaraçados, de venta ferrada no chão, perante uma verdadeira lição de coragem que a Baeta ali, mesmo nas suas caras, sem papas na língua, ia pronunciando.
- Metidos na taberna!… - Nem são homens nem são nada!
E, voltando as costas, lá foi subindo a calçada, resignada:
- Deixa-me lá calar antes que diga coisas que vocês não gostam de ouvir!
Era uma verdadeira mulher de armas esta Baeta. Defendia estas serranias como se das suas entranhas se tratasse, elas eram o útero, a origem do seu ser. A cada investida, a cada metro de baldio que tentassem ocupar, ela lá estava, na linha da frente, destemida e sem preconceitos. Nestas serranias, nestes baldios, guardou cabras e ovelhas, desde miúda, aqui roçou molhos e molhos de mato para a cama dos animais. A lenha para cozinhar e para aquecer o corpo e a alma nas noites infindáveis e frias do inverno era aqui recolhida, a pulso, nestas vertentes da serra, nestes baldios de todos e para todos e não terrenos sem dono como certos oportunistas, metidos a espertos, queriam fazer crer.
Mais uma vez, os baldios sofriam uma ameaça. Um tal de Buiça, cioso de teres e haveres a qualquer preço, lançava uma ofensiva para ocupar parte destes terrenos comunitários desde tempos ancestrais, propriedade de todos em geral, de toda a comunidade que deles usufruía e de onde retirava os bens essenciais à sua agricultura de quase subsistência, o pasto dos gados, a lenha e os matos. Mais uma vez a Baeta levantava a sua voz contra a injustiça, contra a tirania sem escrúpulos e sem respeito pelos valores mais sagrados desta gente serrana.
À porta da casa da Baeta, já ao fim da tarde, ao lusco-fusco, apinhou-se uma populaça, muitos homens e algumas mulheres. Os homens da taberna, de rabo entre – as - pernas, lá foram fazendo constar o sucedido, os gritos de alerta e conseguiram, num ápice, reunir esta gente. A Baeta, do alto da varanda de xisto, lançou o esperado grito de guerra:
- Aqui, à porta de casa, não se faz nada! - Amanhã, logo de manhã, à abertura da Câmara, é preciso esperar pelo presidente, antes de ele entrar, para saber o que pensa fazer desta pouca vergonha. Da Vergada da Loiça até ao Terreiro das Bruxas é só valados e marcos de pedra. Os pinheiros estão todos marcados à machada. É uma pouca vergonha o que se está a passar por essas serras.
O presidente da câmara era, ao mesmo tempo, um grande empresário laneiro, empregador da maioria destas gentes serranas, durante o dia operários têxteis e ao fim da tarde agricultores de uma lavoura de subsistência, pobre, muito pobre, que apenas dava para complementar o magro salário da indústria. No entanto, o presidente, por estratégia de interesses ou por conhecer o apego desta gente aos seus baldios, embora a contragosto, sempre procurava pôr um pouco de água na fervura quando se levantavam as fúrias destes povos.
Recebeu a delegação à porta da Câmara porque, esta turba, não tinha privilégios de pisar alcatifa de edilidade. Apesar de os receber na rua, conhecia-os a todos pelo nome e pelas alcunhas e não seria de bom tom confrontá-los assim, sem mais nem menos. Afinal todos eram seus empregados. Precisava deles cordatos, submissos e obedientes e, com palavrinhas mansas, lá foi levando a água ao seu moinho. Embora compreendesse as suas razões, aconselhava a que se acalmassem pois não poderia tolerar, a qualquer pretexto, manifestações à porta da câmara, isso nem pensar, era coisa que não mais voltaria a acontecer sob pena de consequências gravosas para os reclamantes. Manifestações é que não, ia argumentando o presidente, até que a Baeta, a ver passar o tempo com conversa fiada e nada de soluções visíveis, saltou a terreiro:
- Senhor presidente, não sei o que é essa coisa de manifestações nem estou interessada em saber. O que nos interessa é o que nos traz aqui, e o que nos traz aqui são os nossos baldios que a toda a hora estão a ser roubados sem que ninguém veja ou queira ver, sem haver alguém de poder que levante a voz. - Senhor presidente, a “senhora câmara” tem que ter uma palavra a dizer, antes que o povo se levante!
O presidente, denotando já alguma irritação, foi dizendo que não tinha medo de ameaças, contudo iria marcar um dia para, no local e em pessoa, tomar conhecimento da situação e ajuizar das medidas a tomar a contento das partes em litígio.
- É melhor que marque já o dia, senhor presidente, não vá isto ficar no rol dos esquecidos!
- Não marco a data, isso não marco, mas posso garantir-vos que o assunto não vai ficar no esquecimento! – Assegurou o presidente.
O dia da diligência lá foi indicado e todos compareceram no largo da aldeia. Subiram, serra fora, até ao Terreiro das Bruxas. De um lado os representantes da população, três homens ali mesmo indicados por todos e a Baeta. Do outro, o Buiça, esgrimindo os seus argumentos e mostrando documento atrás de documento. – Estão aqui os registos da matriz, aqui na minha mão, isto é meu! – Argumentava em sua defesa.
O presidente, ouviu as partes, ouviu de um lado… Ouviu do outro, e propôs a solução que lhe parecia mais razoável. Também achava que aquilo era um exagero, mas que no entanto não se deviam cortar as unhas rentes. Afinal o homem sempre apresentava alguns documentos e… Papéis são papéis. Vai-se medir aqui uma área para além do que vocês dizem serem a estremas do homem porque, afinal, o melhor é não haver guerras – disse o presidente – e o restante continua a ser baldio.
Para “ instrumento de medida”, o presidente escolheu o “Gato”. Alto, de perna comprida, lá foi medindo, passo a passo o terreno, até chegar aos cinquenta passos sentenciados pelo presidente. Não obstante qualquer das partes estivesse de acordo, a demanda estava sanada. De nada valia reclamar, porque voz de presidente é voz de presidente.
- Se outro houvesse com a pata mais comprida não era o Gato que media o terreno. Isso vos afianço eu! – Exclamou a Baeta em desacordo com esta cedência de cinquenta passos de terreno - Vamos lá a saber quem será o próximo escolhido para a medição. Se tiver pernas mais compridas bem ficamos sem baldio.
José da Safra
CINQUENTA PASSOS DE BALDIO
Desceu a calçada imperfeita , de pedra ribeirinha redonda e irregular, a um ritmo alucinante. Mais se assemelhava a um vendaval que parecia fazer rodopiar tudo o que encontrava ao redor. Um turbilhão de nervos e de raiva que bem se estampava no rosto.
Era a Baeta, olhos vivos e lancinantes, maçãs do rosto vermelhas que nem maçãs do São João. Um vermelho tão vermelho que mais se parecia com um farol feito de um emaranhado… Um novelo, de veias e capilares prontas para uma rotura gigantesca e desastrosa. - Essa cara tão corada ainda há-de um dia ser o teu fim, rapariga!... – Advertiam as vizinhas mais chegadas temendo o pior que, por ironia do destino, viria a acontecer em idade bem prematura… O acidente vascular fatal e irremediável.
Defronte da porta da taberna, disparou as primeiras rajadas de palavras contundentes e ameaçadoras:
- É preciso não terem vergonha na cara!
Abanou a cabeça por um lado e para o outro e prosseguiu:
- Aqui especados a “enxugar” copos de vinho enquanto aquele malandro já lá vai, serra fora, a abrir valado à frente de valado, e a plantar marcos de lomba em lomba. – É preciso não terem vergonha na cara!
Os homens, que se emparceiravam encostados ao comprido balcão de cimento da taberna, coberto de copos de” três”, uns cheios outros vazios, mais parecidos com um rebanho de ovelhas famintas debruçadas sobre a manjedoira, voltaram-se e aproximando-se do guarda-vento, uma espécie de meia porta encimada em bico, que resguardava do exterior a identidade dos fregueses mas lhes permitia, sempre que alguma manobra ou algo de estranho se passasse cá fora, dar uma mirada por cima, assim de soslaio, como quem não quer a coisa… a mulher de um que o vinha desencantar da desgraça, uma moçoila fogosa que passava no largo, enfim todas as coisas triviais que aguçavam o apetite à curiosidade destas almas de Deus. Desta vez espreitaram por cima do guarda-vento, não para apreciar trivialidades, motivos de chacota ou pernas roliças de cachopa mas, isso sim, para ouvir discurso bem mais sério e ameaçador que os deixou embaraçados, de venta ferrada no chão, perante uma verdadeira lição de coragem que a Baeta ali, mesmo nas suas caras, sem papas na língua, ia pronunciando.
- Metidos na taberna!… - Nem são homens nem são nada!
E, voltando as costas, lá foi subindo a calçada, resignada:
- Deixa-me lá calar antes que diga coisas que vocês não gostam de ouvir!
Era uma verdadeira mulher de armas esta Baeta. Defendia estas serranias como se das suas entranhas se tratasse, elas eram o útero, a origem do seu ser. A cada investida, a cada metro de baldio que tentassem ocupar, ela lá estava, na linha da frente, destemida e sem preconceitos. Nestas serranias, nestes baldios, guardou cabras e ovelhas, desde miúda, aqui roçou molhos e molhos de mato para a cama dos animais. A lenha para cozinhar e para aquecer o corpo e a alma nas noites infindáveis e frias do inverno era aqui recolhida, a pulso, nestas vertentes da serra, nestes baldios de todos e para todos e não terrenos sem dono como certos oportunistas, metidos a espertos, queriam fazer crer.
Mais uma vez, os baldios sofriam uma ameaça. Um tal de Buiça, cioso de teres e haveres a qualquer preço, lançava uma ofensiva para ocupar parte destes terrenos comunitários desde tempos ancestrais, propriedade de todos em geral, de toda a comunidade que deles usufruía e de onde retirava os bens essenciais à sua agricultura de quase subsistência, o pasto dos gados, a lenha e os matos. Mais uma vez a Baeta levantava a sua voz contra a injustiça, contra a tirania sem escrúpulos e sem respeito pelos valores mais sagrados desta gente serrana.
À porta da casa da Baeta, já ao fim da tarde, ao lusco-fusco, apinhou-se uma populaça, muitos homens e algumas mulheres. Os homens da taberna, de rabo entre – as - pernas, lá foram fazendo constar o sucedido, os gritos de alerta e conseguiram, num ápice, reunir esta gente. A Baeta, do alto da varanda de xisto, lançou o esperado grito de guerra:
- Aqui, à porta de casa, não se faz nada! - Amanhã, logo de manhã, à abertura da Câmara, é preciso esperar pelo presidente, antes de ele entrar, para saber o que pensa fazer desta pouca vergonha. Da Vergada da Loiça até ao Terreiro das Bruxas é só valados e marcos de pedra. Os pinheiros estão todos marcados à machada. É uma pouca vergonha o que se está a passar por essas serras.
O presidente da câmara era, ao mesmo tempo, um grande empresário laneiro, empregador da maioria destas gentes serranas, durante o dia operários têxteis e ao fim da tarde agricultores de uma lavoura de subsistência, pobre, muito pobre, que apenas dava para complementar o magro salário da indústria. No entanto, o presidente, por estratégia de interesses ou por conhecer o apego desta gente aos seus baldios, embora a contragosto, sempre procurava pôr um pouco de água na fervura quando se levantavam as fúrias destes povos.
Recebeu a delegação à porta da Câmara porque, esta turba, não tinha privilégios de pisar alcatifa de edilidade. Apesar de os receber na rua, conhecia-os a todos pelo nome e pelas alcunhas e não seria de bom tom confrontá-los assim, sem mais nem menos. Afinal todos eram seus empregados. Precisava deles cordatos, submissos e obedientes e, com palavrinhas mansas, lá foi levando a água ao seu moinho. Embora compreendesse as suas razões, aconselhava a que se acalmassem pois não poderia tolerar, a qualquer pretexto, manifestações à porta da câmara, isso nem pensar, era coisa que não mais voltaria a acontecer sob pena de consequências gravosas para os reclamantes. Manifestações é que não, ia argumentando o presidente, até que a Baeta, a ver passar o tempo com conversa fiada e nada de soluções visíveis, saltou a terreiro:
- Senhor presidente, não sei o que é essa coisa de manifestações nem estou interessada em saber. O que nos interessa é o que nos traz aqui, e o que nos traz aqui são os nossos baldios que a toda a hora estão a ser roubados sem que ninguém veja ou queira ver, sem haver alguém de poder que levante a voz. - Senhor presidente, a “senhora câmara” tem que ter uma palavra a dizer, antes que o povo se levante!
O presidente, denotando já alguma irritação, foi dizendo que não tinha medo de ameaças, contudo iria marcar um dia para, no local e em pessoa, tomar conhecimento da situação e ajuizar das medidas a tomar a contento das partes em litígio.
- É melhor que marque já o dia, senhor presidente, não vá isto ficar no rol dos esquecidos!
- Não marco a data, isso não marco, mas posso garantir-vos que o assunto não vai ficar no esquecimento! – Assegurou o presidente.
O dia da diligência lá foi indicado e todos compareceram no largo da aldeia. Subiram, serra fora, até ao Terreiro das Bruxas. De um lado os representantes da população, três homens ali mesmo indicados por todos e a Baeta. Do outro, o Buiça, esgrimindo os seus argumentos e mostrando documento atrás de documento. – Estão aqui os registos da matriz, aqui na minha mão, isto é meu! – Argumentava em sua defesa.
O presidente, ouviu as partes, ouviu de um lado… Ouviu do outro, e propôs a solução que lhe parecia mais razoável. Também achava que aquilo era um exagero, mas que no entanto não se deviam cortar as unhas rentes. Afinal o homem sempre apresentava alguns documentos e… Papéis são papéis. Vai-se medir aqui uma área para além do que vocês dizem serem a estremas do homem porque, afinal, o melhor é não haver guerras – disse o presidente – e o restante continua a ser baldio.
Para “ instrumento de medida”, o presidente escolheu o “Gato”. Alto, de perna comprida, lá foi medindo, passo a passo o terreno, até chegar aos cinquenta passos sentenciados pelo presidente. Não obstante qualquer das partes estivesse de acordo, a demanda estava sanada. De nada valia reclamar, porque voz de presidente é voz de presidente.
- Se outro houvesse com a pata mais comprida não era o Gato que media o terreno. Isso vos afianço eu! – Exclamou a Baeta em desacordo com esta cedência de cinquenta passos de terreno - Vamos lá a saber quem será o próximo escolhido para a medição. Se tiver pernas mais compridas bem ficamos sem baldio.
José da Safra
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segunda-feira, setembro 29, 2008
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terça-feira, 8 de abril de 2008
Conto de Jorge Carvalho David
1.
Baile na Freguesia do Focinho!
Foi pelo S. João!
A malta da escola não falava de outra coisa. Logo à noite vamos saltar as fogueiras do S. João. Eram os “vilaraitas” a planear a noitada no atlético recreativo mocidade do Vilar, os da Sapateira no seu centro recreativo cada grupo, em separado, planeava as suas peripécias antecipando nas suas mentes de meninos a paródia que os esperava. Os “vilaraitas” tinham fama de desordeiros, pouco sociáveis e até conflituosos. À vista de todos os outros, dos demais lugarinhos eram reputados de serem fracas rezes. Amiudadas vezes se envolviam conflitos que acabavam por descambar em autenticas batalhas campais onde tudo valia como arma desde as pedras certeiras a fisgas e outros arcabuzes improvisados. Assim que soava o grito de alarme: - Guerra aos vilaraitas, os dois bandos rivais iniciavam uma batalha sangrenta, primeiro de luta corpo a corpo e depois terminava com uma perseguição cerrada até encurralar o grupo mais fraco nas fronteiras do seu território. Por norma os vilaraitas saíam derrotadas nestas contendas. Não porque fossem mais fracos e menos astutos mas tão somente por se defrontarem com um exército de aliados, os da Sapateira, da Palheira e do Torgal em muito maior número quase sempre acabavam encurralados para lá do plome bem na fronteira do vilar, esfalfados e às vezes bem maltratados. Não raro o sangue escorria pelo cabelo cortado à escovinha em resultado de uma pedrada mais certeira.
As fogueiras de S. João eram um acontecimento tão importante que se sobrepunha a todas as tricas possíveis e imaginárias. Em campos separados, todos confluíam no imaginário de mais uma refrega sanjoanina, com baile para velhos e novos e fogueiras para a miudagem saltar.
Já sol posto, organizava eu a estratégia para a minha minha saída, porque nesta coisa de surtidas nocturnas, o plano tinha que ser meticulosamente delineado por forma a, sorrateiramente, sem dar nas vistas, desaparecer da esfera familiar, zarpar sem que alguém se apercebesse...e ao mínimo descuido, comprometesse toda a operação, e eis que um inesperado acidente de percurso complicou todos os meus planos. Os irmãos, mais novos, apercebendo-se da movimentação, não se me largaram mais das saias não me restando outro remédio que não fosse dar o meu assentimento a que me acompanhassem não obstante o do meio, ter marcada, para o dia seguinte, prova final da terceira classe. Vencida a sempre medonha quelha da serrada da palheira, com muros de pedra crua de ambos os lados, mais altas que a nossas cabeças, lá chegámos ao centro recreativo da sapateira, onde a animação já era grande. Folia e mais folia, o arraial prometia ir longe, e eis que o inesperado acontece. O meu avó paterno, na ausência de meu pai que viajara em negócios para a capital, assume as funções de guardião da ordem na prole e apresenta-se na sapateira em missão de resgate dos três foragidos meliantes. Quedou-se, de chapéu de feltro preto revirado em sinal de caso, de pé na entrada , única passagem disponível para o sala de baile que, como é norma na quadra, estava apinhada de gente. Os mais novos dançavam, no centro da sala, ao som dos tangos e valsas ranfonhas saídas de um gira-discos estafado, talvez oferecido por um distinto benemérito que, ficando bem na fotografia, se livrou de tamanho mono enquanto as mães que supostamente estariam de olho nas moças dormitavam em bancos corridos de pinho que circundavam a sala e os mais velhos beberricavam uns copos de vinho alvaraço da Louriceira que, a comparar com o vinho morangueiro da terra, era uma pinga de estalo, no” bufet ”, separado da sala de baile por um tapume em madeira com um pequeno postigo para o caixeiro poder observar o que se ia passando na sala. Foi desse postigo que saiu a voz de alerta: vinda do director de serviço ao balcão: - A sentinela está alerta e a porta é estreita. Bem escusado era tal aviso, por vir e destempo, no momento em que já se ensaiava uma saída rápida e certeira do recinto de festas. O meu avô, que não podia eternamente impedir a passagem dos que pretendiam entrar e sair, encostou-se ao tabuado que dividia a sala com o “buffet” enquanto eu e os incómodos acompanhantes nos íamos esgueirando lentamente pelos
quatro cantos da sala, em atropelo com pernas e xailes, numa ânsia desmedida de atingir a porta. Perto da porta, bastava olho aberto e ligeireza de perna para dar o salto para a rua e cem campo aberto difícil seria deixar-ase agarrar. O plano funcionou na perfeição. Eu, na pele de chefe de quadrilha era, como é obvio, o alvo primeiro a abater, estatuto que me valeu um rasgão na blusa e dois botões arrancados para assim escapar à mão de meu avô e consumar a fuga. No meio de tal confusão os companheiros de lide conseguiram escapar-se ainda antes de eu me libertar de tais apertos. Foi uma corrida sem tréguas, quais cavalos a toque de chicote, até à cerejeira da encruzilhada. Era o ponto de paragem não só em horas de aflição mas ainda em outras ocasiões bem mais calmas se fazia uma pausa na caminhada de ida e volta da escola do Bolo. O tempo para descanso do guerreiro foi mal calculado, e com a chegada de meu avô logo os apuros recomeçaram com nova corrida até a casa. Aí esperava-nos a pior das surpresas, minha mãe ciosa dos pergaminhos de substituta do homem da casa, redobrou-se em cuidados. Pai fora de casa, fuga colectiva, irmão do meio com prova da terceira classe, irmão mais novo acabado de perder o estatuto de bebe, incomodar o sogro para a diligência... Enfim, um monte de trabalhos que num tribunal a sério seria certamente apelidado de cúmulo jurídico o qual merecia – e mereceu – sentença adequada e castigo a condizer.
A gritaria foi de tal ordem ,fosse pela dureza do castigo, fosse pelo sentimento de culpa, que se ouviu lá para os lados da singraleira. No dia seguinte, a caminho da escola, o Constantino Adriano sai-nos a terreiro exclamando:
- Pl'o toque da música ,ontem houve baile na freguesia do focinho!
Jorge Carvalho David
Baile na Freguesia do Focinho!
Foi pelo S. João!
A malta da escola não falava de outra coisa. Logo à noite vamos saltar as fogueiras do S. João. Eram os “vilaraitas” a planear a noitada no atlético recreativo mocidade do Vilar, os da Sapateira no seu centro recreativo cada grupo, em separado, planeava as suas peripécias antecipando nas suas mentes de meninos a paródia que os esperava. Os “vilaraitas” tinham fama de desordeiros, pouco sociáveis e até conflituosos. À vista de todos os outros, dos demais lugarinhos eram reputados de serem fracas rezes. Amiudadas vezes se envolviam conflitos que acabavam por descambar em autenticas batalhas campais onde tudo valia como arma desde as pedras certeiras a fisgas e outros arcabuzes improvisados. Assim que soava o grito de alarme: - Guerra aos vilaraitas, os dois bandos rivais iniciavam uma batalha sangrenta, primeiro de luta corpo a corpo e depois terminava com uma perseguição cerrada até encurralar o grupo mais fraco nas fronteiras do seu território. Por norma os vilaraitas saíam derrotadas nestas contendas. Não porque fossem mais fracos e menos astutos mas tão somente por se defrontarem com um exército de aliados, os da Sapateira, da Palheira e do Torgal em muito maior número quase sempre acabavam encurralados para lá do plome bem na fronteira do vilar, esfalfados e às vezes bem maltratados. Não raro o sangue escorria pelo cabelo cortado à escovinha em resultado de uma pedrada mais certeira.
As fogueiras de S. João eram um acontecimento tão importante que se sobrepunha a todas as tricas possíveis e imaginárias. Em campos separados, todos confluíam no imaginário de mais uma refrega sanjoanina, com baile para velhos e novos e fogueiras para a miudagem saltar.
Já sol posto, organizava eu a estratégia para a minha minha saída, porque nesta coisa de surtidas nocturnas, o plano tinha que ser meticulosamente delineado por forma a, sorrateiramente, sem dar nas vistas, desaparecer da esfera familiar, zarpar sem que alguém se apercebesse...e ao mínimo descuido, comprometesse toda a operação, e eis que um inesperado acidente de percurso complicou todos os meus planos. Os irmãos, mais novos, apercebendo-se da movimentação, não se me largaram mais das saias não me restando outro remédio que não fosse dar o meu assentimento a que me acompanhassem não obstante o do meio, ter marcada, para o dia seguinte, prova final da terceira classe. Vencida a sempre medonha quelha da serrada da palheira, com muros de pedra crua de ambos os lados, mais altas que a nossas cabeças, lá chegámos ao centro recreativo da sapateira, onde a animação já era grande. Folia e mais folia, o arraial prometia ir longe, e eis que o inesperado acontece. O meu avó paterno, na ausência de meu pai que viajara em negócios para a capital, assume as funções de guardião da ordem na prole e apresenta-se na sapateira em missão de resgate dos três foragidos meliantes. Quedou-se, de chapéu de feltro preto revirado em sinal de caso, de pé na entrada , única passagem disponível para o sala de baile que, como é norma na quadra, estava apinhada de gente. Os mais novos dançavam, no centro da sala, ao som dos tangos e valsas ranfonhas saídas de um gira-discos estafado, talvez oferecido por um distinto benemérito que, ficando bem na fotografia, se livrou de tamanho mono enquanto as mães que supostamente estariam de olho nas moças dormitavam em bancos corridos de pinho que circundavam a sala e os mais velhos beberricavam uns copos de vinho alvaraço da Louriceira que, a comparar com o vinho morangueiro da terra, era uma pinga de estalo, no” bufet ”, separado da sala de baile por um tapume em madeira com um pequeno postigo para o caixeiro poder observar o que se ia passando na sala. Foi desse postigo que saiu a voz de alerta: vinda do director de serviço ao balcão: - A sentinela está alerta e a porta é estreita. Bem escusado era tal aviso, por vir e destempo, no momento em que já se ensaiava uma saída rápida e certeira do recinto de festas. O meu avô, que não podia eternamente impedir a passagem dos que pretendiam entrar e sair, encostou-se ao tabuado que dividia a sala com o “buffet” enquanto eu e os incómodos acompanhantes nos íamos esgueirando lentamente pelos
quatro cantos da sala, em atropelo com pernas e xailes, numa ânsia desmedida de atingir a porta. Perto da porta, bastava olho aberto e ligeireza de perna para dar o salto para a rua e cem campo aberto difícil seria deixar-ase agarrar. O plano funcionou na perfeição. Eu, na pele de chefe de quadrilha era, como é obvio, o alvo primeiro a abater, estatuto que me valeu um rasgão na blusa e dois botões arrancados para assim escapar à mão de meu avô e consumar a fuga. No meio de tal confusão os companheiros de lide conseguiram escapar-se ainda antes de eu me libertar de tais apertos. Foi uma corrida sem tréguas, quais cavalos a toque de chicote, até à cerejeira da encruzilhada. Era o ponto de paragem não só em horas de aflição mas ainda em outras ocasiões bem mais calmas se fazia uma pausa na caminhada de ida e volta da escola do Bolo. O tempo para descanso do guerreiro foi mal calculado, e com a chegada de meu avô logo os apuros recomeçaram com nova corrida até a casa. Aí esperava-nos a pior das surpresas, minha mãe ciosa dos pergaminhos de substituta do homem da casa, redobrou-se em cuidados. Pai fora de casa, fuga colectiva, irmão do meio com prova da terceira classe, irmão mais novo acabado de perder o estatuto de bebe, incomodar o sogro para a diligência... Enfim, um monte de trabalhos que num tribunal a sério seria certamente apelidado de cúmulo jurídico o qual merecia – e mereceu – sentença adequada e castigo a condizer.
A gritaria foi de tal ordem ,fosse pela dureza do castigo, fosse pelo sentimento de culpa, que se ouviu lá para os lados da singraleira. No dia seguinte, a caminho da escola, o Constantino Adriano sai-nos a terreiro exclamando:
- Pl'o toque da música ,ontem houve baile na freguesia do focinho!
Jorge Carvalho David
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terça-feira, abril 08, 2008
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Jorge Carvalho David
segunda-feira, 7 de abril de 2008
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Roberto Soldado Esperto
Foi uma tragédia... Uma verdadeira tragédia que se abateu sobre a freguesia e seus arredores.
Um marido, à primeira vista sem causa nem motivo aparente, desfechou à queima roupa, dois tiros de caçadeira no corpo da mulher que, num ápice, tombou morta no chão. O marido suicida, consumado este gesto tresloucado, ingere uma dose fatal de veneno destinado a matar o escaravelho da batata e sem apelo nem agravo, também ele encontra o caminho da morte procurando saldar, desta forma, o acto covarde que acabava de praticar. Dois mortos, assim de uma assentada e em circunstâncias tão dramáticas, sempre mexem, quer se queira quer não, com a quietude de uma pacata povoação de província, onde todos se conhecem, e onde a vida de todos por todos é conhecida. É assim nestas pequenas aldeias das beiras onde as pessoas só não se assumem como um colectivo da mesma família para não correrem o risco de estar a praticar actos incestuosos, vizinho com vizinha e vizinha com vizinho a toda a hora e instante. Todos, caso não sejam irmãos, são primos ou, na pior das hipóteses parentes até à quinta geração.
Por muito horrendo que tenha sido o crime, os vizinhos sempre se compadecem e não faltam às cerimónias fúnebres como manda a tradição e as boas maneiras nesta coisa de lidar com a morte.A morte é a morte, mesmo que provocada, acorrenta consigo um sentimento de dôr e de compaixão que não deixa ficar ninguém indiferente. Bem o diz a sabedoria do povo. A morte deixa sempre uma desculpa. Ele não era mau diabo, dava-se com toda a gente, era amigo do seu amigo, enfim... Chegado a defunto não se lhe conheciam desavenças, vinganças ou outros actos que pudessem manchar a sua reputação de bom vizinho. Apenas este acto tresloucado, praticado a coberto sabe-se lá de que razões, manchou a imagem de um pacato cidadão o que, contudo, não justifica que, ainda assim, seja abandonado ao acaso como um fauno sem préstimo na caminhada para a sua última morada.
O funeral foi marcado, dois dias depois, para meio da tarde de uma quarta-feira soalheira levando a supôr que até o tempo se quis associar a este branqueamento que o povo se esforçava por colar a esta tragédia como bem o demonstra a grande afluência de populares de todas as idades e condições.
O cortejo lá seguia o seu trajecto, pachorrentamente e em silêncio, apenas quebrado pelo ruído do calçado no alcatrão, e eis senão quando uma voz rompe esta fúnebre mudez:
- Esse que aí vai matou a mulher mas ao menos matou-se logo a seguir. Outros, mataram um filho e ainda por aí andam, a espreitar o sol!
Era o Roberto Soldado Esperto, já bem bebido para aquela hora do dia que largava semelhante atoarda.
Este Roberto era uma figura de pequena estatura, um meia leca, magro, de bigode que nunca pôde com uma gata p'lo rabo. Herdou esta alcunha de soldado esperto pelos vinte e poucos anos, pouco depois de ter assentado praça em Tomar. Soldado de poucos préstimos como viria a provar-se com uma intempestiva passagem à disponibilidade: - Não me queriam lá... Passaram-me à “peluda”- dizia ele – Mesmo assim, no pouco tempo que levou de tropa, fez história.
Chegou a uma sexta-feira à tarde, com a farda completamente em desalinho, botas desatacadas, blusão à tiracolo, gravata desapertada a abanar no fundo da barriga, boné dobrado a saltar do bolso das calças...
Esperou que o Zé dos Santos, o encarregado da resinagem chegasse do pinhal, e na sua linguagem “belfa”perguntou-lhe:
- Oh ti Jé! Voxemexé pode-me dar trabalho p'ra quinje dias? - Deram-me umas férias!...
- Olá! Há meia dúzia de dias na tropa e já com férias. Não seja por isso que não te dê
trabalho, mas a coisa está-me a cheirar a esturro!- Já podes vir amanhã!Respondeu o Zé dos Santos, vencido mas não convencido.
O Roberto lá trabalhou todo o sábado e recebeu logo féria do dia. Na segunda- feira, porém, já não teve igual sorte. Ao chegar ao quartel, designação que davam ao barracão onde cozinhavam e pernoitavam os resineiros, quase todos deslocados de casa durante largas semanas, deparou com o pior. Um gipe verde azeitona, descapotável, estacionara junto à porteira. Ao volante um militar. Fora do gipe, de pé, os outros três aguardavam havia já um bom par de horas.
- Quem é aqui o encarregado?
Perguntou um dos militares com ar de comando e divisas nos ombros.
- Sou eu mesmo, respondeu o Zé dos Santos com ar pouco intimidado. Atão o qué que vos traz por aqui? - Parece que até já adivinhei! Exclamou...
E tinha mesmo adivinhado, o Zé dos Santos. Vinham em busca do Roberto por ter abandonado o RI 15 de Tomar sem dar cavaco a ninguém. Uma folgazita e, ala que se faz tarde...
-És mesmo um soldado esperto. A culpa não foi tua não... A culpa foi minha que te dei trabalho e guarida!
A partir deste episódio o pobre do Roberto, algemado e atirado para a traseira do gipe ficaria baptizado para o resto dos seus dias: - Roberto” Soldado Esperto”.
E Roberto Soldado Esperto, apenas tendo assistido a um voltar de cabeças e um vozear surdo e comedido em ambas as filas do cortejo fúnebre, ficou de costas quentes e voltou a repetir a atoarda ainda mais alto e para que todos ouvissem bem:
- Esse que aí vai matou a mulher mas ao menos matou-se logo a seguir. Outros, mataram um
filho e ainda por aí andam, a espreitar o sol! Repetiu ipsis verbis o que antes já tivera dito.
À segunda foi de vez. O visado, destinatário daqueles desenquadrados comentários, seguia alguns metros à sua frente, na ala oposta. Realmente, há já alguns anos atrás, ele, o visado que na boca do ”Soldado Esperto” por ali se passeava ao sol, teria entrado em conflito com o filho, rapaz em idade casadoira, que por divergências relacionadas com escolhas de namorico descambaram em discussão e agressões mútuas que levaram pai e filho a vias de facto, e a envolver-se em desavença de tal ordem violenta que desembocou no disparo de um tiro que, para uns fora propositado, para outros acidental e que provocou a morte do mancebo ainda na flôr da idade.
O Roberto Soldado Esperto, dadas as circunstâncias e o contexto em que proferiu tais impropérios, não esperava, de forma alguma, que o alvo do seu comentário provocador reagisse tão inesperadamente. O primeiro murro apanhou-o de surpresa. O ofendido abandonou a ala em que seguia, atravessou a estrada e assentou um murro em cheio na cara do Soldado Esperto. A este seguiram-se um outro e mais outro, pontapé e bofetada sem conto. Uma tareia a sério e à antiga. O funeral parou para se assistir ao arraial de pancadaria, até que o homem da cruz, devoto da irmandade do santíssimo, embrulhado na opa lilaz que lhe encobria as nódoas do casaco cinzento já cansado de assistir a estas cerimónias, deu voz de comando perante a perplexidade do prior ainda atónito com o desenrolar dos factos que acabava de presenciar:
- O homem meteu o nariz onde não era chamado. Levou na tromba e foram bem merecidas. Só se perderam as que caíram no chão...
E voltando as costas ao cortejo, que aos poucos se ia reorganizando levantou a cruz até ao alcance dos braços e exclamou:
- Siga a procissão que o enterro já está estragado!
J. David
Fev.2008
Roberto Soldado Esperto
Foi uma tragédia... Uma verdadeira tragédia que se abateu sobre a freguesia e seus arredores.
Um marido, à primeira vista sem causa nem motivo aparente, desfechou à queima roupa, dois tiros de caçadeira no corpo da mulher que, num ápice, tombou morta no chão. O marido suicida, consumado este gesto tresloucado, ingere uma dose fatal de veneno destinado a matar o escaravelho da batata e sem apelo nem agravo, também ele encontra o caminho da morte procurando saldar, desta forma, o acto covarde que acabava de praticar. Dois mortos, assim de uma assentada e em circunstâncias tão dramáticas, sempre mexem, quer se queira quer não, com a quietude de uma pacata povoação de província, onde todos se conhecem, e onde a vida de todos por todos é conhecida. É assim nestas pequenas aldeias das beiras onde as pessoas só não se assumem como um colectivo da mesma família para não correrem o risco de estar a praticar actos incestuosos, vizinho com vizinha e vizinha com vizinho a toda a hora e instante. Todos, caso não sejam irmãos, são primos ou, na pior das hipóteses parentes até à quinta geração.
Por muito horrendo que tenha sido o crime, os vizinhos sempre se compadecem e não faltam às cerimónias fúnebres como manda a tradição e as boas maneiras nesta coisa de lidar com a morte.A morte é a morte, mesmo que provocada, acorrenta consigo um sentimento de dôr e de compaixão que não deixa ficar ninguém indiferente. Bem o diz a sabedoria do povo. A morte deixa sempre uma desculpa. Ele não era mau diabo, dava-se com toda a gente, era amigo do seu amigo, enfim... Chegado a defunto não se lhe conheciam desavenças, vinganças ou outros actos que pudessem manchar a sua reputação de bom vizinho. Apenas este acto tresloucado, praticado a coberto sabe-se lá de que razões, manchou a imagem de um pacato cidadão o que, contudo, não justifica que, ainda assim, seja abandonado ao acaso como um fauno sem préstimo na caminhada para a sua última morada.
O funeral foi marcado, dois dias depois, para meio da tarde de uma quarta-feira soalheira levando a supôr que até o tempo se quis associar a este branqueamento que o povo se esforçava por colar a esta tragédia como bem o demonstra a grande afluência de populares de todas as idades e condições.
O cortejo lá seguia o seu trajecto, pachorrentamente e em silêncio, apenas quebrado pelo ruído do calçado no alcatrão, e eis senão quando uma voz rompe esta fúnebre mudez:
- Esse que aí vai matou a mulher mas ao menos matou-se logo a seguir. Outros, mataram um filho e ainda por aí andam, a espreitar o sol!
Era o Roberto Soldado Esperto, já bem bebido para aquela hora do dia que largava semelhante atoarda.
Este Roberto era uma figura de pequena estatura, um meia leca, magro, de bigode que nunca pôde com uma gata p'lo rabo. Herdou esta alcunha de soldado esperto pelos vinte e poucos anos, pouco depois de ter assentado praça em Tomar. Soldado de poucos préstimos como viria a provar-se com uma intempestiva passagem à disponibilidade: - Não me queriam lá... Passaram-me à “peluda”- dizia ele – Mesmo assim, no pouco tempo que levou de tropa, fez história.
Chegou a uma sexta-feira à tarde, com a farda completamente em desalinho, botas desatacadas, blusão à tiracolo, gravata desapertada a abanar no fundo da barriga, boné dobrado a saltar do bolso das calças...
Esperou que o Zé dos Santos, o encarregado da resinagem chegasse do pinhal, e na sua linguagem “belfa”perguntou-lhe:
- Oh ti Jé! Voxemexé pode-me dar trabalho p'ra quinje dias? - Deram-me umas férias!...
- Olá! Há meia dúzia de dias na tropa e já com férias. Não seja por isso que não te dê
trabalho, mas a coisa está-me a cheirar a esturro!- Já podes vir amanhã!Respondeu o Zé dos Santos, vencido mas não convencido.
O Roberto lá trabalhou todo o sábado e recebeu logo féria do dia. Na segunda- feira, porém, já não teve igual sorte. Ao chegar ao quartel, designação que davam ao barracão onde cozinhavam e pernoitavam os resineiros, quase todos deslocados de casa durante largas semanas, deparou com o pior. Um gipe verde azeitona, descapotável, estacionara junto à porteira. Ao volante um militar. Fora do gipe, de pé, os outros três aguardavam havia já um bom par de horas.
- Quem é aqui o encarregado?
Perguntou um dos militares com ar de comando e divisas nos ombros.
- Sou eu mesmo, respondeu o Zé dos Santos com ar pouco intimidado. Atão o qué que vos traz por aqui? - Parece que até já adivinhei! Exclamou...
E tinha mesmo adivinhado, o Zé dos Santos. Vinham em busca do Roberto por ter abandonado o RI 15 de Tomar sem dar cavaco a ninguém. Uma folgazita e, ala que se faz tarde...
-És mesmo um soldado esperto. A culpa não foi tua não... A culpa foi minha que te dei trabalho e guarida!
A partir deste episódio o pobre do Roberto, algemado e atirado para a traseira do gipe ficaria baptizado para o resto dos seus dias: - Roberto” Soldado Esperto”.
E Roberto Soldado Esperto, apenas tendo assistido a um voltar de cabeças e um vozear surdo e comedido em ambas as filas do cortejo fúnebre, ficou de costas quentes e voltou a repetir a atoarda ainda mais alto e para que todos ouvissem bem:
- Esse que aí vai matou a mulher mas ao menos matou-se logo a seguir. Outros, mataram um
filho e ainda por aí andam, a espreitar o sol! Repetiu ipsis verbis o que antes já tivera dito.
À segunda foi de vez. O visado, destinatário daqueles desenquadrados comentários, seguia alguns metros à sua frente, na ala oposta. Realmente, há já alguns anos atrás, ele, o visado que na boca do ”Soldado Esperto” por ali se passeava ao sol, teria entrado em conflito com o filho, rapaz em idade casadoira, que por divergências relacionadas com escolhas de namorico descambaram em discussão e agressões mútuas que levaram pai e filho a vias de facto, e a envolver-se em desavença de tal ordem violenta que desembocou no disparo de um tiro que, para uns fora propositado, para outros acidental e que provocou a morte do mancebo ainda na flôr da idade.
O Roberto Soldado Esperto, dadas as circunstâncias e o contexto em que proferiu tais impropérios, não esperava, de forma alguma, que o alvo do seu comentário provocador reagisse tão inesperadamente. O primeiro murro apanhou-o de surpresa. O ofendido abandonou a ala em que seguia, atravessou a estrada e assentou um murro em cheio na cara do Soldado Esperto. A este seguiram-se um outro e mais outro, pontapé e bofetada sem conto. Uma tareia a sério e à antiga. O funeral parou para se assistir ao arraial de pancadaria, até que o homem da cruz, devoto da irmandade do santíssimo, embrulhado na opa lilaz que lhe encobria as nódoas do casaco cinzento já cansado de assistir a estas cerimónias, deu voz de comando perante a perplexidade do prior ainda atónito com o desenrolar dos factos que acabava de presenciar:
- O homem meteu o nariz onde não era chamado. Levou na tromba e foram bem merecidas. Só se perderam as que caíram no chão...
E voltando as costas ao cortejo, que aos poucos se ia reorganizando levantou a cruz até ao alcance dos braços e exclamou:
- Siga a procissão que o enterro já está estragado!
J. David
Fev.2008
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segunda-feira, abril 07, 2008
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